O Medo do Diagnóstico do Diabetes

O diagnóstico de diabetes gera medo e impacto na vida de muitos pacientes e isso é motivo de muita preocupação. Existem muitas reações e preocupações dos pacientes e devemos esclarecer todas para o que o tratamento seja feito da melhor forma possível. Neste artigo, iremos falar sobre os principais pontos de preocupação das pessoas que descobrem ter diabetes.

1- Diabetes Não É Uma Sentença

A primeira preocupação da grande maioria dos pacientes é a limitação que o diabetes causa, bem como o medo de todas as mudanças que podem acontecer devido à doença. No entanto, essa preocupação não é absolutamente verdadeira, pois as orientações são controle de dieta e atividade física regular e estas são recomendações para todas as pessoas, com diabetes ou não. É isso mesmo, não existe a dieta do diabetes! A pessoa com diabetes deve comer uma dieta balanceada, com poucas calorias, voltadas para uma pequena redução de peso. Então, essa composição de dieta é ideal não só para o diabetes, mas para praticamente todas as outras pessoas. De fato, um grande problema é que atualmente, comemos muito mal (quase todos nós), e orientar uma dieta balanceada gera uma impressão de grandes limitações.

Outra grande preocupação inicial é o medo das temíveis complicações, como cegueira, amputação de membros, doença nos rins e coração. Embora realmente essas sejam os principais problemas do diabetes, geralmente eles não ocorrem no início da doença. Por esse motivo, é muito comum termos pacientes que até realizam as medidas iniciais, mas com o passar do tempo perdem o foco. Aqui está o grande risco!

2- Por que Precisamos Tratar o Diabetes?

Além da preocupação com a mudança na vida do dia a dia, outra grande dúvida entre os pacientes é: por que realmente preciso tratar o diabetes? Essa dúvida é ainda maior com o passar do tratamento, pois muitas vezes a pessoa não percebe melhorias realmente significativas na sua rotina. Explicando melhor: imagine uma pessoa com dor de cabeça. A pessoa percebe de maneira bem clara e rápida que quando ela toma o remédio para dor, em alguns minutos a dor alivia. No diabetes, isso é diferente! A pessoa geralmente não sente nada, ou sente coisas por outros motivos que nunca foram investigados. No momento em que ela toma o remédio, nada muda, e muitas vezes ainda podem aparecer efeitos colaterais do remédio. Sem dúvidas, isso gera grande frustração com o tratamento e dificuldade de levar ele a longo prazo.

É por esse motivo que o diabetes pode ser uma doença traiçoeira, já que há grande chance de a pessoa passar anos sem fazer o tratamento, sem sentir absolutamente nada, e com o diabetes “danificando” os órgãos pouco a pouco. Devido haver então uma conversa clara o paciente já no início do diagnóstico, em que se explica que de fato é aquele tratamento contente, diário e contínuo que vai impedir as complicações graves no futuro.

Lembre-se: o principal objetivo do tratamento é evitar as complicações. Realmente é isso que causa medo no diagnóstico do diabetes.

3- Tudo Isso se Aplica ao Diabetes Tipo 1

Nem todo diabetes é igual, e o diagnóstico de diabetes tipo 1 gera ainda mais medo. Algumas pessoas, assim como no diabetes tipo 1 (DM1), descobrem a doença em um contexto de muito descontrole, apresentando perda de peso, muitas idas ao banheiro para urinar e muita sede. Esses sintomas ocorrem em qualquer tipo de diabetes muito descontrolado, mas é mais comum no diabetes tipo, em que a pessoa deixa de produzir insulina completamente.

Esse início mais dramático ocorre mais frequentemente nas crianças e adultos jovens, época em que o DM1 é mais frequente. Nesses casos há mais preocupação ainda com as mudanças que o diabetes provoca na vida. No entanto, mais uma vez, pessoas com DM1 podem e devem ter uma vida normal!

Assim como nos outros casos de diabetes, a pessoa precisa ter controle de alimentação e praticar atividade física (lembre-se que isso serve para todas as pessoas). A grande diferença nesse caso é o uso da insulina, que mesmo sendo uma medicação como outra qualquer, gera um estigma muito grande em quem usa, causando resistência e medo nas pessoas. Aí está o grande problema, eu concordo que aplicar insulina não é nada prático. Embora as formas de aplicar estejam melhorando, de fato ainda podem ser incômodas. Entretanto, falo mais uma vez: é um remédio como outro qualquer.

Perceba as semelhanças:

  • Todas as pessoas com diabetes devem ter dieta balanceada – e as pessoas sem diabetes também
  • Todos devem praticar atividade física – pessoas com e sem diabetes também
  • Todas as pessoas com diabetes devem usar medicação (DM1 a medicação tem que ter insulina)

4- Ainda Não Consigo Ver Como Ter Uma Vida Normal Com Diabetes

Aqui, quero falar com você que chegou até esse momento do texto e ainda não conseguiu perceber como ter uma vida normal com diabetes, e por isso ainda tem o medo do diagnóstico de diabetes. Primeiro, eu concordo com você que tomar remédio todos os dias, mais ainda se for insulina, gera mudanças, especialmente na rotina. A pessoa tem sim que se disciplinar, ter regras de horários e não exagerar todos os dias, pios o corpo vai cobrar a conta depois. Porém, perceba que exageros podem ser ruins para qualquer pessoa, inclusive trazendo outras consequências que nada tem relação com diabetes.

Além disso, perceba que apenas a necessidade de medicação e as consultas com o médico são realmente diferentes. O restante, como a capacidade de trabalhar, a inteligência, desempenho no colégio, potencial físico, etc, são todos iguais. Ou seja, quem tem diabetes, tem todo o potencial de vida de qualquer pessoa. Isso tem que ficar muito claro!

Então qual é o principal divisor de águas entre quem tem sucesso no tratamento e quem vai ter aquelas complicações tão temidas? O conhecimento! Conhecer, buscar novas informações sobre a doença e ter um médico disposto a ajudar você nesse processo são fundamentais. O cuidado vai muito além do melhor remédio, daquele mais caro, da insulina mais moderna.

Após o diagnóstico, é indispensável que você tenha uma relação de confiança com o seu médico Endocrinologista, pois é o especialista que irá acompanhar você. Depois disso, o mais importante é seguir todo o tratamento à risca, seja com relação à alimentação, atividade física e horário da medicação.

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